Do Atlântico Negro Parisiense. Últimas noticias.
[1] Por Joana Ferreira
A organização negra parisiense Conselho das Associaçoes Negra da França – CRAN, fundada em 26 de novembro 2005 com o objetivo de lutar contre o racismo anti-negro e atuante na França foi vitoriosa. Uma de suas reivindicaçoes foi reconhecida pelo governo francês Macron. Enfim, retornam a sua terra natal, as obras de arte, espolio de guerra roubadas na guerra colonial da França contra Dahomé( antigo Benin) entre os anos de 1892-1894. Apesar da batalha de resistência do rei Behanzin contra o colonialismo francês, Behanzin perdeu a guerra, foi preso e seu tesouro e obras de arte mais importantes como o seu trono foram trazidas para os museus da França.
Mais de cem anos depois, muitas obras retornaram ao Benin em novembro de 2021. Mas antes do retorno, foi realizado entre 26 ao 31 de outubro 2021, gratuitamente, um grande evento em Paris, no Museu du Quai Branly – Jacques Chirac, homenageando as artes, a cultura e as tradições do Benin.
A programação do evento apresentou um colóquio científico internacional, encontros e discussões sobre os projetos museológicos e um ciclo de cinema. Este evento e/ou cerimonia foi organizado em comum acordo entre os dirigentes da República do Benin e o governo francês. «
O publico que visitou a exposição « BENIN » no Teatro Lévi-Strauss, do Museu du Quai Branly – Jacques Chirac teve a oportunidade de ver ou rever as 26 obras que foram restituídas ao Benin. Na entrada do Teatro Claude Lévi-Strausso publico pode apreciar as obras do tesouro real de Abomey” .


A cenografia da exposição foi didática. Pode-se observar diferentes aspectos historicos da trajetoria das obras. Uma descrição detalhada do conflito colonial; a permanência das樂威壯 obras de arte nos museus parisienses por quase 130 anos, e por fim as reivindicaçoes do CRAN, a ação vitoriosa com as especificidades da batalha jurídica e o processo de restituição das obras de arte.
O evento da exposição « BENIN » no museu e o retorno das obras marcaram o encerramento deste litigio. É importante ressaltar que os protagonistas da luta e/ou reivindicaçao faltou no evento. O Conseil Représentatif des Associations Noires de France atraves do seu presidente de honra Sr. Louis George TIN nao foi convidado para a cerimônia. Na França este fato foi incompreensível.Haja vista que o CRAN e sua equipe atuou pela restituição das obras de arte desde 2013. Realizou uma campanha publicitaria denunciando o espolio da França no Benin. Confira a entrevista de Louis George TIN de 10 outubro 2016. (https://youtu.be/HK2uADccSjY)
No Benin ocorreu o reconhecimento do CRAN e seu atual presidente de honra, Louis George TIN, foi convidado e participou das cerimônias de retorno das 26 obras de arte no BENIN em 10 novembro 2021. Confira o video da chegada das obras de arte no Benin https://youtu.be/Y0ZSWX3EB
Estas e outras ações na Europa se inserem na luta da diáspora negra por seus direitos. Parabéns ao CRAN!
[i] Joana Ferreira
Pesquisadora das relações raciais na França e no Brasil.
Assistente Social na Prefeitura de Paris e Prefeitura de Sao Paulo, foi professora da UNICSUL/SP.
Mestrado em Sociologia PUC/SP, Bacharel en Serviço Social PUC/SP, Diploma de Assistente Social Francês, École Normale Sociale (ANS/Paris) e foi aluna no Programa de Doutorado em Sociologia na EHESS e na Sorbonne, Paris.
Autora do livro Centro de Cultura e Arte Negra – CECAN, coleçao Retratos do Brasil pela editora Selo Negro/Summus 2012. Sâo Paulo.