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MAIO DE 2022: conquista da dignidade salarial e enfrentamento ao Racismo na Enfermagem

Maio 31, 2022 Comentários fechados em MAIO DE 2022: conquista da dignidade salarial e enfrentamento ao Racismo na Enfermagem By Soweto*#%!

Alva Helena de Almeida*

O dia 04 de maio de 2022 marcou a historiografia da EnfermagemI brasileira depois da definição do Piso Salarial e da Jornada de trabalho de 30 horas semanais, mediante conquista arrasadora na Câmara Federal.  Essa vitória representou aos profissionais, maioria de mulheres negras, a real possibilidade de usufruir de um salário mais justo, respeito e dignidade na prática profissional. Aguardamos em mobilização, o deferimento do presidente da República.

Paralelamente a esse fato notável, a Articulação Nacional de Enfermagem Negra (ANEN) tornou público os dados da Sondagem sobre Racismo e Discriminação realizada em novembro de 2021, em parceria com o Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (CORENSP). Nosso objetivo foi produzir dados mensuráveis que expressassem as desigualdades no mercado de trabalho, além de identificar práticas racistas que impeçam o acesso e a mobilidade social e institucional de profissionais negras e negros. Os profissionais foram convidados a participar da sondagem através de formulário eletrônico, após manifestar o aceite do Termo de Consentimento Livre Esclarecido.

Os dados reafirmaram o perfil feminino da profissão com 85,6% de mulheres, maioria cisgêneros, heterossexuais e uma pequena parcela se identificou como transgêneros, homo e bissexuais. O conjunto se caracterizou por maioria de adultos jovens, 40,5% entre 34 e 43 anos, e somente 13,6% com mais de 53 anos. Contudo, o mercado de trabalho se mostra bastante seletivo e dificulta o acesso de profissionais com mais de 40 anos. Destes, 66,8% informaram ter um vínculo e 17,3% estão sem vínculo atualmente. Ao analisar o vínculo segundo raça cor, se verificou que dentre os desempregados, os negros (pardos+pretos) representam quase duas vezes o número de brancos. Quanto à Renda Familiar, há diferenças entre a capital, o interior e a região metropolitana, nessa ordem. Os maiores salários, classe A acima de 20 SM, são de posse das mulheres brancas e amarelas, 66,7% e 33,3% respectivamente. Nas classes C, D e E quanto menor é a faixa salarial, maior é o quantitativo de profissionais negros. As mulheres indígenas estão representadas nas Classes C e E. Os maiores salários no gênero masculino estão na Classe B, sendo 14,3% de brancos, comparados a 8,9% dos negros.  A maioria dos respondentes declararam que a Renda familiar não é suficiente para as despesas, e é limitante para continuidade dos estudos. Esse conjunto de dados analisados até aqui reforçam os postulados do movimento social negro há mais de um século: os negros são submetidos, desde a falsa abolição, a salários menores, incompatíveis com o seu sustento e com o alcance de outros bens, nesse caso a educação, expressão do racismo estrutural.

Quanto ao Nível de formação essa amostra revelou uma relação inusitada entre o número de profissionais no nível médio, cerca de 35,8%, para 40,9% entre os universitários. No perfil da enfermagem brasileira1, os profissionais do nível médio representaram 77% do total. Quando os dados são recortados racialmente, se verificou um quantitativo cerca de 50% maior de enfermeira(o)s do que técnicos, nas categorias amarela, branca e indígena, e cerca de 40% entre os profissionais pretos. Poderíamos considerar a maior facilidade dos universitários em possuir e utilizar os recursos eletrônicos, ou supor que haja um contingente maior de graduados no Estado de São Paulo, do que no restante do país. Com relação à Especialização, 24,5% responderam ter uma especialização, 27,8% informaram ter mais de uma especialização,15,8% informaram estar cursando e 31,8% responderam NÃO ter especialização. Dentre os que Não têm especialização, 72,9% são negros. O conjunto se mostrou bastante qualificado, em condições de competitividade no mercado. Contudo, alguns discursos expressam condições anômalas nos processos seletivos:

“Algumas Instituições preferem não contratar pessoas de pele preta ou fora dos “padrões” de beleza que a sociedade impõe”.

“Empresas que não contratam pessoas acima do peso, idade após os 40 anos, negros etc”.

“É o racismo que acontece dentro do ambiente onde você está inserido, pode ser na escola, no trabalho. Elencar como critério de avaliação para contratação raça, credo, opção sexual por exemplo”.

“Julgamento baseado na cor do cidadão e não pelas competências”.

“Quando uma mulher branca, loira e magra fica na vaga que estava certo pra ser sua, mesmo você tendo certificado experiência profissional”.

“Profissionais Enfermeiro, negro, homens parecem não estar dentro do perfil das empresas de serviços hospitalares, principalmente os particulares. Dificilmente avançam nas fases do processo, ainda que na prova, tenham alcançado bons resultados”.

Quanto às questões relacionadas ao Racismo e Discriminação, 96,3% da amostra respondeu que existe Racismo no Brasil e 95,6% Não se considera Racista. Cerca de84,8%dos respondentes, informouter conhecimento de racismo a profissionais de enfermagem, e 73,8% informaram ter conhecimento de racismo praticado na instituição (outro profissional, familiares, pacientes). Quanto à Existência de Profissionais negros no local de trabalho, 70,2%responderamSer a Minoria;e com relação a Profissionais negros em Posição de Chefia, 41,9% responderamNão conheço, 17,8% SIM, apenas um(a); 30,5% SIM, mas é a minoria.A somatória dessas categorias correspondeu a 90,3% do conjunto. Vale destacar que o total de respondentes dessa Sondagem foi de 1090, número muito diferente da Sondagem “Ser Mulher na Enfermagem”, realizada em março de 2021, que consistiu em 11.985 participantes. Essa disparidade sinaliza a dificuldade em discutir a questão racial, as desigualdades e privilégios no mercado de trabalho. O conjunto de dados evidenciou as diferenças entre o quantitativo de profissionais brancos e negros, e a invisibilidade desses na estrutura organizacional, em particular nos cargos de Gestão, expressões do racismo institucional. Os discursos ancoram os dados:

“FALTA GERENTE, RT [Responsável Técnico], E SUPERVISOR DE ENFERMAGEM NEGROS/NEGRAS”

“Perceber que cargos de chefia não são ocupados por negros. Identificar que o colorismo facilita na contratação de pessoas. Sobretudo as que lidam diretamente com o público”.

“Por exemplo acabei meu curso procuro uma oportunidade já passei nas provas, mas na gestão querem experiência como vou ter se não me derem uma chance, sendo que muitas vezes preferem conhecidos que alguém indique e nem passa muitas vezes pelos processos é muito triste”.

“Quando a cor é determinante para promoções e cargos de liderança”.

“Significa que pessoas racializadas são consideradas inferiores pela branquitude e independente de nossas capacidades intelectuais, os negros são sempre considerados abaixo. Tratados sempre como serviçais e subalternos, independente da classe social”.

Com relação ao fato de ter ouvido Não estar qualificada(o) para receber promoção,54,3% responderam SIM; quanto a ter conhecimento de Práticas Antirracistas no local de trabalho 84,5% responderam NÃO.

Quando questionadosQuem foi o Sujeito que sofreu racismo no ambiente de trabalho, 72,9%responderam Colega de trabalho, 49,6% o próprio profissional, 34,7% usuário/paciente e 12,3% Familiar. Em relação aoSujeito que cometeu Racismo no ambiente de trabalho, 55,9%responderam Paciente/usuário, 46,6% Colega de equipe, 43,8% Chefia, 36,2% Profissional de saúde; 23,9% outros profissionais e 16,5% Familiar. Em ambas as questões foi permitido assinalar mais de uma alternativa. Os discursos ilustram os dados:

“Acredito que seja aquele [racismo] onde a pessoa é limitada a um cargo função, sem causa aparente apenas pela cor da pele, recebe menos oportunidades, mas de maneira velada”.

“Eu, como enfermeira negra, acabo sendo identificada como técnica em enfermagem”.

“É aquele que sofremos no ambiente de trabalho, por superiores, colegas e clientes”.

“Perceber que um funcionário por ser negro tem a pior escala ou o pior local de trabalho”.

“Quando o almoxarifado chega pra te entregar o seu EPI e a touca de TNT não comporta meu cabelo isso é racismo estrutural porque não foi pensado em mim mulher negra e sim em uma pessoa branca [cabelo liso]”.

“São práticas que perpetuam e criam estereótipos sobre pessoas pretas, fazendo com que essas pessoas sejam subjugadas pela cor, impedidas de acessarem serviços de saúde, por exemplo, com equidade”.

“Uma mulher preta não pode ocupar um cargo de gerência, entre um preto e um branco para altos cargos sempre será escolhido o branco mesmo que o preto tenha mais capacidade. Uma preta dentro do hospital é a faxineira, a técnica de enfermagem, para as pessoas ela não tem “cara” de enfermeira ou médica”.

“Sinto a rejeição dos meus superiores hierárquicos todos os dias, a desqualificação do meu trabalho, sempre existe alguma coisa para tirar o meu sossego”.

Os discursos comprovam, indiscutivelmente, os dados apresentados, e são reveladores dos mecanismos que mantêm as formas praticadas e naturalizadas de racismo no ambiente de trabalho. Além da discriminação, crime inafiançável, os profissionais revelam situações rotineiras de assédio moral e sofrimento mental. Os processos de contratação e de desenvolvimento da carreira no mercado de trabalho do setor saúde, aqui referido à enfermagem paulista, pareceram estar impregnados de práticas discriminatórias, racistas, homofóbicas, gordo fóbicas, etarismo, injustiças, e ainda coniventes com um pacto narcísico2, quando o grupo social branco, ‘modelo de ser humano’ gerencia, apoiado por outros brancos, a reserva e ocupação dos cargos mais qualificados nas instituições.

A conquista do Piso Salarial pela Enfermagem brasileira em 2022, tem o simbolismo do enfrentamento da categoria ao grande capital das empresas de saúde e ao patriarcado. Esse ideário machista pressupõe que uma profissão majoritariamente feminina possa ganhar salários insuficientes para a sua sobrevivência e mobilidade social.  Segundo Santos3, a existência de duas condições sociais – discriminação racial e depreciação da renda salarial, são elementos constituintes das relações de raça e classe, que subalternizam e depreciam o salário da(o) trabalhadora(o) negra(os). Reconhecemos ainda o fenômeno das múltiplas opressões: raça, classe e gênero, cujo resultado é representado pela estratificação social das mulheres negras na enfermagem e no setor saúde de forma mais ampla, impactando na vida, nas trajetórias profissionais, nos processos de adoecimento e morte das profissionais, vivenciados, recentemente, no cenário da pandemia da Covid-19.

O cenário exige comprometimentos, rupturas com essas práticas institucionalizadas e dos privilégios mantidos por séculos, além de providências cabíveis e legais: das Entidades de Classe, das Empresas de Saúde, do Sistema de Saúde e do Estado Brasileiro, para o alcance do respeito, do tratamento humano e equânime a que todos temos direito, enfim, da construção de uma sociedade democrática.

Enquanto a questão negra não for assumida pela sociedade brasileira como um todo: negros, brancos e nós todos juntos refletirmos, avaliarmos, desenvolvermos uma práxis de conscientização da questão da discriminação racial neste país, vai ser muito difícil no Brasil, chegar ao ponto de efetivamente ser uma democracia racial.  (GONZALEZ, Lélia, 2017).

REFERÊNCIAS

1. BENTO, Maria Aparecida da Silva. Pactos Narcísicos no racismo:   branquitude e poder nas organizações empresariais. [Tese]. Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. 2002.

2. GONZALEZ, Lélia, 2017  20 de novembro: Resistência negra na luta contra o racismo estrutural  https://terradedireitos.org.br/acervo/artigos/20-de-novembro-resistencia-negra-na-luta-contra-o-racismo-estrutural/22682. Acesso em 25 maio 20222.

3. MACHADO, Maria Helena (Coord.). Perfil da enfermagem no Brasil: relatório final: Brasil / coordenado por Maria Helena Machado. ― Rio de Janeiro: NERHUS – DAPS – ENSP/Fiocruz, 2017.

4. SANTOS, G. Relações raciais e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2009. (Consciência em debate/coordenada por Vera Lúcia Benedito).

Nota

I.A Enfermagem no Brasil é constituída pelos profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem no nível médio, e Enfermeira(os) e Obstetrizes, no nível superior.

*Alva Helena de Almeida
Presidente da Soweto Organização Negra
Integrante da Articulação Nacional de Enfermagem Negra
Enfermeira Mestre em Saúde Pública, Doutora em Ciências.

Movimento negro brasileiro é tema de exposição em Universidade Americana

Maio 9, 2022 Comentários fechados em Movimento negro brasileiro é tema de exposição em Universidade Americana By Soweto*#%!

Com base nas coleções da Soweto Organização Negra (SP) e no acervo coleção pessoal de Reginaldo Bispo, militante negro do movimento negro há mais de quatro décadas, está sendo apresentada a exposição Fighting racism! 40 years of Memory in Afro Brazilian Posters é o título da exposição baseada em cartazes que marcam as principais lutas e eventos do movimento negro brasileiro, desde 1982, entre 6 de abril e 10 de maio, na Universidade da Pensilvânia, situada na Filadélfia.

Graças aos esforços os ativistas que reuniram estes materiais e os guardaram em condições adversas é possível fazer esta memória circular por mais lugares e mais pessoas conhecerem esta história. O acervo da Soweto da Organização Negra jazia em sua sede na região central da cidade de São Paulo. Um prédio alugado há quase 20 anos onde os militantes se reúnem para fazer suas reuniões e atividades. O seu material arquivístico ocupava parte significante de seu espaço físico, junto com mesas, cadeiras, uma biblioteca etc. Os cartazes, relatórios, panfletos, oficios etc., foram reunidos graças ao cuidado e atenção de seus militantes com a produção gráfica e de conhecimento do movimento negro do Brasil e do mundo. Contudo, não havia ali as condições estruturais adequadas para a preservação do material. 

Algo parecido ocorreu com o Acervo de o Sr. Reginaldo Bispo, da cidade de Campinas-São Paulo. Sua coleção é resultado de mais de 40 anos de militância em variados espacos, como sindicais, partidários, associações locais e organizações nacionais do movimento negro. Por onde passou ele escreveu muito, e cuidou de recolher tudo o que lhe parecia importante. Em sua residência, ele guardava um armário lotado de documentos, de quatro décadas e de centenas de organizações negras. Em sua garagem, havia mais algumas caixas de papelão com mais documentos. Embora os materiais guardados dentro de casa estivessem melhor acondicionados, os da garagem já passaram até por enchentes. Apesar dos percalços, é inegável o esforço que Bispo fez para preservar seu material, sua própria história e a história dos processos políticos pelos quais participou. 

Esta exposição, apresentada pelo Prof. Paulo Ramos, foi fruto de uma parceria entre duas equipes de pesquisadores, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos. O Projeto Populações Marginalizadas dirigido pelo Dr. Michael G. Hanchard, com apoio da bolsa Making a Difference in Diverse Communities fornecida pela Universidade da Pensilvânia, desenvolvido em parceria com o AFRO-CEBRAP em São Paulo, Brasil liderado pela Prof. Marcia Lima.  Estas duas instituições, soma-se também o Arquivo Edgard Leuenroth, da Universidade Estadual de Campinas. O objetivo deste projeto é a catalogação, digitalização, preservação e disponibilização de acervos públicos no Brasil e nos Estados Unidos. Instalada no 2º Andar do McNeil Building, a exposição tem a co-curadoria de Ana Grabriela Jimenez, do Centro de Estudos Latino Americanos e Latinx, ligada, assim como Paulo Ramos, ao Projeto Dispossession in the Americas, dirigido pela Prof. Tulia Faletti.

A exposição retrata com fidelidade atores e momento importantes para o chamado movimento negro brasileiro contemporâneo, e sua luta pela vida, pela herança africana e por terras. Para compô-la, foi preciso selecionar os principais temas presentes no protesto negro, reconhecer os principais frames e palavras de ordem, e fazer uma mediação entre o que interessa ao movimento e o que é indispensável levar ao público internacional da Universidade da Pensilvânia. 

Assim, temos um mosaico com as principais referências do antirracismo brasileiro, a história e a simbologia da história: do Quilombo dos Palmares, a sombra e a luz de seu último líder, Zumbi dos Palmares, a interpretação que o movimento negro faz do processo de abolição da escravidao. Está marcado a contribuição que os negros deram para a construção do principal partido da história recente do Brasil, e a luta que os negros empreenderam para serem reconhecidos no processo de redemocratização (1985-1989).

Muitas organizações negras possuem uma presença nacional, com pólos locais. Contudo, foi necessário, contemplar as diferente regiões, uma vez que o Brasil possui dimensão continental. A negritude do rico e poderoso Sudeste não pode ser reproduzida a regiões menos populosas, mais pobres, e mais negras também.

São muitas as cores dos movimentos negros brasileiros, mas muitas vezes, os recursos escassos não permitiram impressões coloridas e multidimensionais. Os cartazes monocromáticos não perderam sua expressão, contudo. Eles são símbolos de como os movimentos tecem suas histórias lançando mão dos recursos disponíveis, fazendo as escolhas que melhor servem aos seus interesses e objetivos. Com o passar dos anos, nota-se que as cores vão emergindo quase que à mesma medida que as parcerias começam a acontecer com sindicatos, ONGs, fundações privadas e governos. Contudo, o uso da preto e branco volta quando se quer exprimir sentimentos em que a celebração não justifica a alegria e festividade que as cores ensejam, como a violência e a morte.

Com o passar dos anos, mesmo os cartazes que utilizaram a opção monocromática ganham as cores do tempo, com pequenas manchas amareladas, marcas de dobras, rasgos etc. Isso reflete as condições de preservação desses acervos, que circulam entre sedes de organizações negras e casas de militantes.

Nesse 27 de abril homenageamos as trabalhadoras doméstica e saudamos a nossa ancestral Regina Semião.

Abril 27, 2022 Comentários fechados em Nesse 27 de abril homenageamos as trabalhadoras doméstica e saudamos a nossa ancestral Regina Semião. By Soweto*#%!

por Gevanilda Santos, Maria Regina Teodoro e Magali Mendes;

REGINA SEMIAO uma mulher guerreira, mãe, avó e uma virtuosa profissional no ramo do trabalhado doméstico. Nos deixou mês passado e nos recorda uma referência da luta das trabalhadoras domésticas para o fortalecimento do movimento sindical. Mulher negra empoderada, uma cidadã em Campinas esteve à frente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campinas e região recordando o legado de Laudelina de Campos Melo. Desde o século passado se dedicou a vida sindical defendendo os direitos das trabalhadoras domesticas. É concordamos … nossos passos vêm de longe e a nossa luta e resistência também.

Salve Ana Semião e Maria Regina Teodoro, mulheres de fé na matriz africana, trabalhadoras domésticas, ativistas dos movimentos sociais, sindicalistas, lideranças domésticas nacionais atuantes em Campinas-SP, na CONTRACTCS, na FENATRAD.  Atuaram internacionalmente na OIT. Hoje Maria Regina Teodoro se dedica ao Projeto Promotoras Legais Populares Cida da Terra de Campinas e Região voltado para a formação de mulheres da periferia e trabalhadoras domésticas nos temas de acesso à justiça, prevenção da violência contra as mulheres e direitos trabalhistas.

Saudamos todas e todxs as mulheres negras que levam a frente o legado de Regina Semião. Que lutam contra a violência doméstica, os baixos salários, o racismo o machismo e a não garantia dos direitos.

Salve as organizações de classe, os sindicatos espalhados por todo Brasil, a FENATRAD, a CONTRACTS. Salve as secretarias da promoção da igualdade racial e secretarias da mulher que promovem política pública de qualidade e fortalecem a democracia.

Longa vida aos organismos de defesa do bem viver nas relações de raça, classe e gênero.

Salve a mulherada sindicalizada.   Salve o 27 de abril, o dia da trabalhadora doméstica!

Salves as lideranças de ontem e hoje. Parabéns por sua trajetória de luta.

SOWETO ORGANIZAÇÃO NEGRA

FECONEZU

PLP “Cida da Terra

CONEN Mulher

Almoço solidário e Roda de Conversa: ”Os desafios da mulher congolesa no Brasil”

Abril 1, 2022 Comentários fechados em Almoço solidário e Roda de Conversa: ”Os desafios da mulher congolesa no Brasil” By Soweto*#%!

Hortense Mbuyi[1]

A República Democrática do Congo desde a década de 90 passa por conflitos motivados pela concorrência na exploração dos recursos naturais do país. O Congo é um grande produtor de COLTAN, essencial na fabricação de celulares. Tem ainda grandes concentrações de cobalto, cobre, nióbio, petróleo, diamantes, ouro, prata, zinco, manganês, estanho, urânio, entre outros. Apesar de tudo, sua população segue entre as mais pobres do mundo.

Os conflitos deixam marcas profundas em toda a população, especialmente nas mulheres, muitas das quais vítimas do estupro como arma de guerra algo que aprofunda ainda mais a vulnerabilidade das mulheres cujo ideal na sociedade congolesa é se casar para garantir a continuidade da sociedade baseada na herança étnica e tribal.  Por tudo isso, muitas mulheres foram obrigadas a uma imigração forçada. No Brasil, além da adaptação cultural e da falta de cidadania, as mulheres congolesas têm de lidar com o racismo e machismo estrutural peculiares na diáspora negra. 

Para conversar sobre “Os desafios da mulher congolesa no Brasil hoje”, o Espaço Wema promove um almoço solidário seguido de roda de conversa. O cardápio traz o prato mais consumido na região oeste do Congo:  ngai ngai, ngulu + fufu (em lingala, o irdioma mais falado nesta região). O prato é composto de folha VINAGREIRA com PERNIL, berinjela e especiarias acompanhadas de fufu (massa lisa de milho). O prato também será oferecido nas opções vegana, folha de Vinagreira com Beringela, especiarias e pasta de amendoim. Também haverá a opção “para entrega” (basta solicitar antecipadamente). Clicar no link https://iperum.com.br/wallet/ofertas/5aad16cadb93c02e5546f7442ac41740

Ou reserva : 11959431777

Convidamos você para este dia importante de trocas e compartilhamentos. Junte-se a nós!

A roda de conversa reúne mulheres congolesas incrívei, todas elas ligadas à luta pela mulher.

Fortaleça as mulheres! Conheça o Congo!

Siga o Espaço Wema nas redes sociais: @espacowema  

O Espaço Wema foi fundado em 2020 pela advogada Hortense Mbuyi para, por meio de eventos culturais e gastronômicos, difundir as culturas africanas e gerar renda familiar.

Almoço solidário e Roda de Conversa: ”Os desafios da mulher congolesa no Brasil”

Data e Horário: 09 de abril de 2022 – às 13 h.

Local: Rua Silveira Martins, 131 sala 22

Realização:  Espaço Wema – @espacowema

Apoio:  SOWETO Organização Negra  – @sowetoorganizacao

Cardápio do dia: “NGAI NGAI, NGULU + FUFU” (Vinagreira com pernil e especiarias + fufu de milho / opção veg: Vinagreira, Beringela com molho de amendoim e especiarias + fufu)

RESERVAS E PAGAMENTO: pelo telefone (11) 959431777 (pix)

Pedidos para entrega de quentinha:clicar no LINK

https://iperum.com.br/wallet/ofertas/5aad16cadb93c02e5546f7442ac41740

Valor: R$45,00


[1] Hortense Mbuyi vive no Brasil, na cidade de São Paulo, há mais de 5 anos.  Trabalha na luta por cidadania aos imigrantes e refugiados e, também, no ativismo por Direitos Humanos. Desde 2019 é conselheira do Conselho Municipal do Imigrantes na cidade de São Paulo. A partir deste ano, asume a presidência.

Dia Internacional da Mulher – Roda de Conversa, com Márcia Choueri, do Canal Direto de Cuba

Março 7, 2022 Comentários fechados em Dia Internacional da Mulher – Roda de Conversa, com Márcia Choueri, do Canal Direto de Cuba By Soweto*#%!

A Soweto Organização Negra convida Você e sua Organização, Entidade e/ou Coletivo para atividade comemorativa ao Dia/Mês da Mulher, a ser realizada no dia 18 de março/22 (sexta-feira), a partir das 19h, Rua Silveira Martins, 131, conj. 22, Praça da Sé (saída Poupatempo).

PROGRAMAÇÃO:

Roda de Conversa, com Márcia Choueri, do Canal Direto de Cuba e do Postcast Coisas de Cuba. Márcia fará um bate-papo sobre a Mulher Cubana Hoje. Na sequência, Alva Helena de Almeida, presidente da Soweto, coautora do livro “Minha História de Conquista na Enfermagem: uma história de desafios, racismo e superação”, organizado por Luiz Faustino dos Santos Maia e a ser lançado nesta data, falará sobre a experiência de participar da publicação e a importância de testemunhar a vida da Mulher Negra na Área da Saúde no Brasil.