MANIFESTO POPULAR CONTRA O GENOCIDIO BRASILEIRO – LEIA E ASSINE
***Deixe nos comentários ao final do artigo o seu nome e instituição para assinar esse manifesto.
Ao longo da história da resistência negra brasileira, aprendemos que a luta é uma atividade contínua e deve se posicionar em todas as frentes.
A certeza é que a vitória tem destino certo quando a luta for permanentemente defendida e enraizada no direito democrático.
Hoje nós estamos irmanados contra o genocídio porque é a luta mais sangrenta enfrentada pela resistência negra. O genocídio hoje está mais feroz e se estende a toda população brasileira. Os poderes da elite incrustados no Estado, a exemplo do atual governo federal, estão empenhados nas chacinas.
Todos os dias os noticiários mostram cenas de violência. Quem não se recorda da chacina da Candelária, chacina do Carandiru, chacina de MAIO, chacina do Cabula, chacina do Eldorado do Carajás, a chacina de Sobradinho, a chacina de muitos João Vitor, Joao Alberto, Luana Barboza, Ian e Bruno, a exemplo do assassinato de George Floyd, EUA, são casos espalhados nas periferias e rincões brasileiros.
As chacinas vêm uma atrás da outra e por isso a luta contra o genocídio da população negra continua. Não podemos deixar impune a chacina do Jacarezinho nem a chacina da pandemia da covid 19 com mais de 400 mil óbitos.
Basta de mortes. Basta de medo.
Vamos nos levantar e nos posicionar a favor da vida.
Defender o ESTADO DE DIREITO e o fim da violência institucionalizada a serviço das elites.
Exibir todos os dias justiça social.
Vamos demarcar o prazo que os governantes levarão p fazer justiça. No caso Marielle e seu motorista Anderson são mais de 3 anos sem punição aos responsáveis.
Basta de faz-me-conta. Os crimes do tráfico de drogas etc., não são apurados. Os trabalhadores inocentes quando suspeitos pagam com a vida. Basta de violência policial. Por isso exigimos justiça social.
Conclamos o cidadão e a cidadã de bem: as organizações democráticas que lutam pelos direitos humanos, a comunidade da justiça e os operadores do direito que lutam pela justiça social e democracia; as organizações de mulheres contra o feminicídio, as organizações em defesas dos direitos LGBTQI+, as organizações em defesa dos trabalhadores do campo, dos quilombolas urbanos e rurais, em defesa dos povos indígenas, as entidades da CONEN, as organizações do Movimento Negro e parceiras dessa luta.
Conclamamos todos, todas e todes a se posicionar e assinar o manifesto contra o genocídio brasileiro. Oxalá todos, todas e todes possamos nos empenhar na restruturação do Congresso Nacional de Negros e Negras – CONEB e nos organizarmos com vista a uma sociedade democrática sem racismo, sem violência policial, sem machismo, sem pobreza , sem pandemia e sem nenhuma forma de intolerância.
13 de maio de 2021.
Assinam esse documento:
- ADALCIRA SANTOS BEZERRA
- ALVA HELENA DE ALMEIDA – Articulação Nacional de Enfermagem Negra – ANEN e Soweto Organização Negra
- ANDREA SALES MONTEIRO- SP
- ANTONIO SANTOS – Soweto organização Negra e Núcleo OJUOBA
- AUGUSTA SANTO – GERESS , Assistente Social, Funcionária Pública e Contista
- CLAUDETE GOMES SOARES – NEABI -UFFS
- CLEIDE DE PAULA – Soweto Organização Negra
- CLÍCEA MARIA MIRANDA- BA
- ELIANE LOPES – Assistente Social e Mae
- ENNIO BRAUNS – Fotografo pela Democracia
- GAL SOUZA – Educadora e historiadora
- GEVANILDA SANTOS – Soweto Organização Negra
- IRAILDES NASCIMENTO
- JOANA NINA FERREIRA – Assistente Social
- JOSE ADAO DE OLIVEIRA – MNU
- LAURA FERREIRA DE ABREU – Jornalista
- LINA ROSA – Soweto Organização Negra
- LUCAS SACARAVELLI SILVA – Professor
- LUCIA MAKENA – FEDER
- MARCIA MARIA BISPO PORTELA SILVA
- MARIA APARECIDA PINTO SILVA – professora universitária
- MARIA CECILIA PINTO SILVA – professora aposentada
- MARIA DO CARMO SALES MONTEIRO – Enfermeira
- MARIA PALMIRA DA SILVA – professora universitária e pesquisadora das relações de gênero, raça e classe.
- MARIA INES DA SILVA BARBOSA – BA
- MONICA COSTA – Nova Frente Negra Brasileira
- PAULO RAFAEL DA SILVA – Sá Menina e Soweto Organização Negra
- ROMILDO JOSE DOS SANTOS – Soweto Organização Negra
- ROSANGELA FERREIRA DE CARVALHO BORGES – Jornalista e professora universitária
- SARA BRANCO – ativista e advogada
- SUANE BRAZAO – Coletivo Amazonizando
- SUELMA INES A. DEUS – Soweto Organização Negra e GERESS
- YONE MARIA PINTO SANTOS
A SOWETO indaga?
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?

Três anos é muito tempo aguardando uma resposta tão necessária e importante. Mas, importante pra quem? E vem uma pergunta após outra. Importante pra quem? E respondemos:
Importante para todas e todos que sonhamos vida, justiça, ética, entendimento, compreensão, humanidade, amorosidade, paz, sustentabilidade e direito a ter direitos.
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?
Somos a SOWETO Organização Negra, nos seus 30 anos de luta por direitos da comunidade afro-brasileira e por todos seres humanos, merecedores de respeito, direitos e justiça segue sua missão. Nossa missão e objetivos foram e são pautas diárias nos sonhos de Marielle Franco.
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?
Em 14 de março de 2018, a Soweto Organização Negra estava em Salvador-BA participando do Fórum Social Mundial (FSM) quando soube do assassinato de Marielle e Anderson. Desde então, perplexa, já buscava resposta. A Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), e centenas de Organizações também presentes no Fórum Social Mundial (FSM) indagavam porquê o genocídio da população negra? E indignadas perguntavam:
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?
Lula e Manuella D`Ávilla, em campanha no pleito daquele ano, gente do Brasil todo e do exterior também, num repleto estádio daquela capital, incisivamente, perguntavam:
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?
E, hoje, aqueles que são pagos pelos brasileiros para investigar o caso. O que sabem eles? E os mandatários deste País, o que eles sabem? Se sabem por que não respondem? Se não sabem por que não perguntam? Por que não exigem respostas?
Quem mandou matar Marielle e Anderson e por quê?
Esta é a pergunta que não quer e não pode calar até que justiça seja feita. Marielle é semente. Inspiração, resistência, luta, indignação, denúncia, respeito às identidades. Marielle abriu a passagem, o caminho é de ida, não tem volta.
Seguimos perguntando e exigindo justiça para Marielle Franco e Anderson.
Salve o 8 de Março – Dia internacional da Mulher
Axé
SOWETO Organização Negra
Foto: Jornal El Pais Brasil
O legado de Thereza Santos… por Gevanilda Santos

Concordamos com Gal Souza que aprendemos muito com Thereza Santos: apreço, afeto e dedicação à coletividade ,autonomia, sempre denunciar o racismo e o machismo, desejar a transformação sociedade. [veja matéria original]. Aprendemos a construir e reconstruir a resistência negra. O legado de Thereza Santos é imenso, a sua história e memoria nos faz lembrar que na luta da mulher negra …nossos passos e o espírito da irmandade vêm de longe.
Em 2021 a Soweto faz 30 anos de existência e luta. Antes de nós se travou muita luta e se escreveu muita história da resistência Queremos lembrar e celebrar os 50 anos da peça “E agora… falamos nos” (1971) uma criação de Tereza Santos em parceria com Oliveira Oliveira. Queremos lembrar a refundação das nossas lutas. Thereza Santos foi co-fundadora do Centro de Cultura e Arte Negra- CECAN (1971)[2],
Gevanilda Santos: historiadora, professora universitária aposentada, autora de vários livros e ativista da Soweto Organização Negra
[1] Ver publicação original do artigo de Gal Sousa no link
[2] Ver SILVA, Joana F. – Centro de Cultura e Arte Negra – CECAN, SP, Selo Negro, 2012
Retrato é reflexo
Retrato é reflexo
de Augusta Santo
Nossos passos vêm de longe,
E nosso percurso não é solitário,
Nossos sonhos,
Ressoam para além das fronteiras.
Da primeira a derradeira
Guerreiras que tecem o tempo
Com fios de resiliência
Sororidade e persistência
Nossas vozes ecoam
Como vento e tempestade
Uma canção de ninar
Ó cirandeira, ó cirandeira ó…
Conta história
Que o amor preservou
Libertou do eco do opressor
Nosso protagonismo
É como ponte
Fio de esperança que alinhava as estações
A vitória de uma
Faz caminho pra tantas
Nosso retrato é reflexo da história
Ara e semeia a terra
Promove a paz em tempos de guerra
Nosso querer não é o tempo com cifrão
O tempo que fragmenta o tempo
É como fênix
Reconstrói e recompõe
Natureza fértil
Terra no cio
Alma feminina
A distância que envolve o destino
Revela sabedoria dos tempos das Yabás
Semeada reinventada
Anunciada
Como canção
Corrente de oração
Grito na multidão
Somos todas marias
E sozinha ninguém fica
A pegada de uma é a passada da outra.

Augusta Santo: poetiza, mãe, assistente social, integrante do Grupo de Estudos das Relações Étnico raciais no Serviço Social – GERESS e parceira da SOWETO. A autora se Inspirou no artigo de Gevanilda Santos “Caminhando ao encontro da contemporaneidade da luta da mulher negra”. Ver MNU – a resistência nas ruas Ennio Brauns, Gevanilda Santos e Jose Adão de Oliveira (org.) São Paulo, Fundação Perseu Abramo: Edições Sesc 2020. Apoio Cultural Soweto Organização Negra.
NOTA DE REPÚDIO
Soweto, GERESS e Fórum da Cidadania da Pessoa Idosa da Cidade de São Paulo – Colegiado Leste – Regional Mooca se somam às pessoas e organizações que se indignaram e protestaram contra o fim da gratuidade nos transportes públicos para as pessoas entre 60 e 64 anos.
Nós do Grupo de Estudo das Relações Étnico-raciais no Serviço Social – GERESS vimos a público expressar nosso repúdio a revogação da Lei Municipal 15.912 de 2013 que concede gratuidade do transporte público às pessoas idosas a partir dos 60 anos de idade. Nos somamos a todas as pessoas e organizações que se indignaram e protestaram contra a revogação da lei, entre elas o Conselho Municipal da Pessoa Idosa do Município de São Paulo.
O Brasil está envelhecendo, a cidade de São Paulo, maior cidade da América Latina, possui 11,9% de pessoas idosas (IBGE,2010). De acordo com as projeções da Fundação SEADE, em 2030 esse número subirá para 20%. Quando um país passa por um processo de envelhecimento demográfico é sinal de avanços tecnológicos com reflexos em setores como saúde e meio ambiente. Por outro lado é sinal também do aumento da população idosa e a necessidade de se garantir políticas que promovam um pleno bem estar para esse grupo.
A pandemia do Covid 19 revelou uma realidade anunciada há muito tempo por diversos movimentos sociais ,em especial o movimento negro, que é a desigualdade social em que a maioria da população brasileira vive, entre eles as pessoas idosas as quais ao completarem 60 anos, ingressam no grupo dos sem direito à vida, baixa aposentadoria e , consequentemente, condições de vida precárias.
Em São Paulo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SMDU), em parceria com a Coordenação de Políticas para Idosos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, elaborou o estudo “Retrato da pessoa idosa na cidade de São Paulo”(2019). O estudo revelou, entre outras questões, que das pessoas sem aposentadoria e inativas, 77,8% são mulheres. O número de pessoas idosas que trabalham é expressivo, a maioria não possui escolaridade ou apenas o nível fundamental incompleto e, consequentemente, baixa qualificação profissional. A população idosa economicamente ativa cresceu, saltou de 2,9% em 1985, para a marca de 5,3% em 2010, o baixo valor das aposentadorias, o ingresso tardio dos jovens no mercado de trabalho, a responsabilidade com as despesas da casa seja como renda principal ou como renda complementar são alguns fatores determinantes para a presença e permanência da população idosa no mercado de trabalho.
Concordamos com Rafael Calábria, especialista de mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e membro do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo (CMTT), segundo o especialista “a remuneração dos novos contratos de ônibus já não paga mais as empresas por passageiro, ela se dá pelos custos da operação. Então não importa para o governo se o passageiro é gratuito ou não”. Um outro ponto comentado pelo especialista (Boletim IDEC/23.12.2020) foi a decisão da revogação ser tomada sem o diálogo entre governo e sociedade civil e, por último, a ausência de demonstrativos referentes a economia no subsídio pago às empresas.
A ação do prefeito Bruno Covas e do governador João Dória é exemplo do uso de uma tecnologia do poder em que corpos já carregados de estigmas, como os corpos das pessoas acima de 60 anos, importam menos que a racionalização da economia baseada em normas e regras que visem diminuir custos mesmo que essas medidas signifiquem aumentar o fosso da desigualdade social e racial.
Pelo exposto, o GERESS defende de forma intransigente políticas públicas municipais de promoção da equidade racial e social e repudiam, veemente, a utilização de um segmento já afetado pela crise sanitária e exclusão no acesso a renda digna como bode expiatório em nome de uma falsa economia para os cofres públicos.
Assinam a nota:
Fórum da Cidadania da Pessoa Idosa da Cidade de São Paulo – Colegiado Leste – Regional Mooca.
GERESS.
Soweto Organização Negra